16/05/2013

Catarse

Eu podia livrar me da dor
Indo te olhar livre

Podia ressecar essa sangria
matar essa fome posuda

Beber da sua água
não há de me negar de novo

Contemplar a rede dos seus cabelos
Falarmos do pó e poesia de rua

Me abrigar no seu dossel
Deixar que o corpo faça febre

Te ouvir

E soar com suor o primeiro gemido

Adequar me ao incontível

Suprir o incabível

Remeter sem destino
Ou desmedir nosso infinito

Mais meti o braço pelas pernas
Estuprei o sentimento virginal que nunca floriu pra sempre

Tatuei um desenho qualquer
em forma de amor e desejei a você

O seu desejo então não veio

mimado de verdade, carente de nossa necessidade

Daí nem que nascessem juntos
sol e lua

E  se mesmo assim por um instante
Eu te encanta-se

E assim traísse essa minha dor
com prazer e nossa paixão em dizer não

Nem mesmo assim
Eu não teria seu riso frouxo ao meu lado

Sempre lembraria e iria

Desse amargo que te fiz sugar

Não pode ser permitido "deslembrar"

Superar a memória do erro e eu

Jogou teu perdão na caçamba segunda

Julgou a limpeza imunda

Tratou de não tardar.

Dali restou o surreal de uma alma gêmeas frias e inventivas

Onde a criar torna-se a cela

A palavra a agonia

Toda vontade quando depara

Fome de panela vazia.

E ainda assim há dor imperdoável e desprezível dos meus ossos quebrados
remendados mais que nosso mistério estéreo, etéreo.



André Luz Gonçalves

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