05/04/2013

Setoso!

Hoje eu nasci ha muito tempo
Me inventei feito como sou, vanguardista safado, triste alegrado.
Sofri como tudo sofrido e virei o riso gostoso do gosto do visgo
Deito me com minha consciência intranquila,
Durmo e não amanheço, deixo me viver cada dia mais.

Ontem eu fui minhas histórias, lagrimas, derrotas e vitórias
Minha infância adultera, velhice infantil...
Meu sorriso tardio, carência feito rio, olhar vadio.
E minha necessária arte de amar e desamar, desamarrar e amarrar.
Antes cachoeira do que mar, desaguei (André Luz).

Mil anos ou mais, algumas horas atrás,
Sou feito de ervas, de águas, cio e sais,
Meu olhar me observa, o sim me nega e ponho tudo em duvida.
Minhas palavras cais, hoje sou uma baía frente ao mar revolto
Sou cada dia um a mais solto, dou o exato tom do meu gosto.

A cada dor duas alegrias, eu que nunca me achei, sempre ia...
Ontem me barraram, eu frustado me calei, eu nasci antes do não.
Hoje eu agrego, me enfeito de dentes, de dores, de força e propósitos
Sou doutor na ciência dos cuidados, não sei bem o que é perdão, tudo por si só é perdoado.
Nem sei ao certo que é certo ou errado, bato macumba e digo amem.

Não ando pra trás, não me envergonho de ser bobo e não ando preocupado.
Quanto a fé, nasci onde a fé era chão.
Quando mãe tentou me ajudar, já logo disse "xai queu xei"!
Fui benzido por Logun, abraçado por Oxum, meu maior presente é ser flecha de Oxossi,
Sou filho de São Jorge e fui criado pelo Dragão, cheio de calor vivo nu na lua de guardar.

André Luz Gonçalves






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