14/06/2012

Cisco no olho de Deus!


Numa tarde chuviscada de Sexta-feira, no dia 09 de julho, 2004 anos após a morte de Jesus. 
Rua da Quitanda perto da Praça São José e eu caminhando sempre em frente, trocando o pé. 
De repente uma correria...
Camelôs, Guardas Municipais e Policiais. 
Tensão e taquicardia entre os transeuntes.
 
 
Ninguém sabe de mais, ficam todos assim, sem nem pra todo lado... Confuso.

Tudo muda
!

Um ladrãozinho de merda, mais um miserável fruto do nosso sistema, corre, fujão, como quem procura a liberdade, feito um desesperado revolto, gato no telhado!
 

Um policial corre também, vibrante, na farda azul combate!
 

O primeiro projétil do policial afoito como a lei foi para o alto
Acertando Deus nos olhos.
Enquanto o Rei da Criação tirava o cisco do Olho, o segundo projétil saía da arma em disparada, pelo horizonte dos caminhos.
 
Logo defronte termina o sonho de uma vida, o policial errou, Deus ainda com cisco, a mulher chocada gritou, meu interior perdeu o interior, tudo parou.
 
Pensei que era eu, afinal caía ao meu lado...
 
Feliz por não ser começo a entristecer-me por não me ver no chão, e no epicentro, assisto ao desfecho. 

Um rapaz que nada tinha com o caso toma o tiro no peito como a um filho no peito
, como a um rosto de amada no peito, toma aquele tiro como se fosse preciso tê-lo para cuidar dele, pra poder leva-lo aonde ele não devia ir.
Seus sapatos eram marrons de cadarço,
 como os que eu queria comprar pouco antes na Avenida Passos. 

Sua pele morena contrastava com o olhar atônito...
 
E caia já no colo dos anjos, sem despedida aos seus...
 
---
 

A Multidão aglomera!
 O povo faz uma vibração ruim se espalhar fedendo feito um peido podre.
 
Gente com fome querendo linchar o homem já quase morto por conta do cisco no olho de Deus!
 
Gritou-se. - 
 "Se tomou tiro é porque ta devendo" 


Ria o engraxate que não viu a cena, sem pena. 

A velha da banca não fica mais chocada, olha pro freguês e cala.
 
“A vida é uma jornada
 
  
 Sem data nem local de chagada” 

Sirene, taquicardia aos vivos...
 
Todos saem da frente, empurrados pelos guardas, que até interromperam
, sua rotina, o rapa das 4 da tarde estava em estado de alívio e os antiprodutos escorriam nos trocados mil! 

O fotografo flagra os últimos instantes... Sorte sinistra de ser principiante.
 

Enquanto isso o ladrão de verdade corre radiante!
 
O policial com medo dele mesmo corre e dentro da honrada farda se esconde.



Paz hoje é derivada da sorte?


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