08/06/2012

Casa de mãe.


Durante muito tempo choveu em toda região, a lua não aparecia, o farol acendia ainda antes das 5 da tarde, realmente eram tempos escuros, algumas regiões alagaram, a vila ficou ilhada apesar de ser uma ilha, ninguém entrava ou saía pois era preciso encarar o mar resolvo na saída da baía que envolvia a praia, a escola fechou, no mercado municipal a faltavam alguns itens, a farinha já era pouca e a venda contada para cada morador, na mesa pão, e só o de casa, o roçado havia acabado, a horta era um lago, e não tinha como por o grão de semente pra arar, a alegria e o calor vinha do queijo da vaca e das galinhas que traziam ovos deliciosos e diariamente nos tiravam a fome.


As galinhas e a chuva;
Amava-as pela graça de nos levar a fome, em certos dias, lá pelas 2 da tarde, a chuva parava e raiava uma luz que nem deixava virar sol, as galinhas lindas andando na chuva, pisavam na lama e bicavam o chão, eu garoto pensava como podíamos comer as galinhas que comiam chão, mas logo vinha o vento preto, os trovões assustavam, os coqueiros envergavam que pareciam quebrar, a chuva forte sem trégua, as crianças estavam loucas no seus quartos e salas, goteiras tiravam a calma dos varões, brinquedos com graça não tinha mais, ninguém estava mais para aquilo, mas mesmo assim a chuva continuava…. 

Graça mesmo só vinha da mãe, afinal casa que tem mãe, tem graça.




 

2 comentários:

  1. Gostei Dedé. Um texto que me lembrou coisas de Gabriel Garcia Marquez, não sei exatamente porque... Me pareceu "um capítulo perdido" de algum livro a ser escrito ainda! Muito bom!! Vou colocar um link no meu blog do seu. E em breve comento sobre ele. Deixa eu ler todo! Ah, sim! Parabéns pelos 1.000 acessos!!!

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  2. É verdade Zaray, ao escrever, também notei que esta era parte de algo maior que há por vir disso, espero.

    Obrigado, seguiremos pelos tempos!

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