11/06/2012

Amar de manhã em Paquetá.


Hoje eu acordei de um pulo só, esquentei o café que sobrou no bule de ontem, tomei um banho frio pra rejuntar a pele mole de sono, era dia de folga da pesca, queria ir a cidade comprar pilha e umas roupas à tarde, mas naquela hora eu ia passear um pouco, ver as modas na rua, ler o jornal na praça com os amigos...


Peguei minha bicicleta no corredor de casa, meu irmão mais novo deixou abandonada desde que tinha saído pra pescar há 3 dias, arrumei a corrente no raio, estava solta, antes de embarcar eu pedi a ele que levasse a magrinha na oficina, isso me irrita, ele só usa e não cuida, acaba que sempre meto a mão sem luva, me sujando com aquela graxa seca que fica igual a tatuagem debaixo da unha, parece que nunca mais vai sair do dedo... Peguei o pneu e apertei primeiro o de traz, murcho, fui ao da frente, mas vazio ainda... Minha bomba é ruim, simplesmente não enche!

Mesmo assim mantive o norte de sair em um belo passeio, era 07h15min da manhã, o sol acordando, Paquetá estava calmo hoje cedo, tinham umas garças dando rasantes no mar, senhores indo pegar sua barca ao trabalho, crianças com sua mãe e avós levando a molecada à escola, eu segui até o borracheiro.

Tio Afonso cobra bem barato pra encher os pneus, pedi que ele apertasse a corrente frouxa também e segui radiante dali, levava uma sacola bem amarrada com umas laranjas, meu chaveiro canivete, um sanduiche e duas garrafas d’água, estava disposto a não parar de pedalar, ficar indo pra lá e pra cá, e assim foi meus primeiros minutos...

Quando passo em frente à estação das barcas, desce uma família, normal, pois nosso bairro é sempre um bom lugar no dia de folga, mas tinha algo diferente, uma menina, uma mulher, devia ter mais de 18 anos, minha idade também,  não muito a mais que isso, uma casal que deveriam ser seus pais, e um garoto que devia ter seus 16 e outro de uns 13, os meninos falavam alto, estavam curtindo, os pais conversavam felizes e ela olhava de cabeça baixa, ainda como se o sol incomodasse um pouco, olhando e conhecendo, a mulher mais linda que eu tinha visto, meu coração recebeu uma carga que gelou minha barriga, de repente num segundo era como se ficasse congelado, e parei de pedalar, quase caí.

O que deveria se seu irmão mais velho percebeu, e eu copiosamente disfarcei parado embaixo do Flamboyant Vermelho, ela me viu, naquele momento que me olhava pareceria que o tempo girava mais devagar, cada passo dela, o piscar, o sol, seu vestido de flor, o vermelho das flores do Flamboyant, a barca indo embora, as garças, tudo diminuiu a velocidade naquele instante, o amor havia acabado de chegar em meu coração, veio de barca e eu ainda não sabia o nome.

E lá fui eu amar.




Nenhum comentário:

Postar um comentário